segunda-feira, 13 de outubro de 2008

prefácio

De fato, Gaudí é mundialmente reconhecido por sua originalidade formal, por sua característica de artesão individualista, que lhe permitiu traduzir desde influências históricas espanholas até as mais novas características da Art Nouveau em arquiteturas jamais vistas.
Seja nas torres da Sagrada Família ou nos bancos curvos do Parque Güell, nos portões de ferro da Casa Vicens ou nas curvas da fachada da Casa Milá, Gaudí fez uma arquitetura plenamente visual cuja verdadeira estrutura é a estrutura da imagem, contrapondo sua versão mediterrânea e católica à versão centro-européia da Art Nouveau.
Nascido na região da Catalunha, viveu em Barcelona na época em que a cidade se desenvolvia industrialmente, num ambiente de valorização cultural muito forte exaltado pelo movimento Renaixença. Foi nesse ambiente que se rompeu o marasmo artístico do final do século XIX, e os primeiros passos do Modernisme se deram em 1880, com a Casa Vicens, de Gaudí.

“Esta casa, como a maior parte da obra gaudiniana, delatava a influência de Violet-le-Duc, onde os elementos constituintes de um estilo nacional eram considerados como submetidos aos princípios do racionalismo estrutural. Na Casa Vicens, Gaudí formulou pela primeira vez a essência de seu estilo, que embora gótico em princípio estrutural, era mediterrâneo, para não dizer islâmico, em boa parte da sua inspiração (...) Como escreveu Ary Leblond em 1910, Gaudí buscava ‘um gótico que estivesse saturado de luz solar, relacionado estruturalmente com as grandes catedrais catalãs, no qual se empregasse cor tal como fizeram os gregos e mouros, lógico para Espanha, um gótico meio marítimo e meio continental, realçado por uma riqueza panteísta.” (FRAMPTON, Kenneth. p. 65)

"Não se imagine, porém, que inovação e criatividade podiam fazer com que Gaudí negasse, ou mesmo se afastasse dos valores e tradições da cultura catalã (...) Reflete o Mediterrâneo como local de confluência de culturas muito diversas e, sobretudo Barcelona, como seu centro de referência nos últimos séculos. Principalmente em suas primeiras obras, verifica-se o intenso uso de azulejos e gelosias (muxarabis), de tetos muito elaborados, de varandas e diversos outros elementos presentes nas obras dos quase oito séculos de ocupação árabe da Península Ibérica, mesmo sendo essa influência bem mais sensível na Andaluzia que na Catalunha." (ROCHA, Ari Antônio)

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